Clima define risco de doenças na soja ao longo da safra
A septoriose segue padrão semelhante
A septoriose segue padrão semelhante - Foto: Nadia Borges
O comportamento do clima ao longo da safra exerce influência direta sobre a ocorrência e a intensidade das principais doenças da soja, ao criar condições mais ou menos favoráveis à ação de patógenos. De acordo com informações de Gerson Carlos Moura de Almeida, da GC Consultoria, fatores como umidade relativa do ar, período de molhamento foliar e temperatura são determinantes para o desenvolvimento dessas doenças nas lavouras.
Ambientes com alta umidade e longos períodos de folhas molhadas tendem a favorecer a maioria dos fungos que atacam a cultura. Doenças como mancha-alvo, septoriose, antracnose, crestamento foliar e ferrugem asiática apresentam maior incidência quando a umidade se mantém elevada, associada a temperaturas que variam, em geral, entre 15 e 30 graus. Além disso, cada patógeno possui uma exigência mínima de horas de molhamento foliar, que pode variar de seis a 18 horas, ampliando o risco conforme as condições climáticas persistem.
No caso da mancha-alvo, causada por Corynespora cassiicola, o ambiente ideal combina alta umidade, ao menos seis horas de molhamento foliar e temperaturas entre 18 e 30 graus. A septoriose segue padrão semelhante, enquanto a antracnose demanda períodos ainda mais longos de folhas molhadas. Já o crestamento foliar encontra maior favorabilidade em temperaturas mais elevadas, acima de 22 graus. A ferrugem asiática, uma das doenças mais severas da cultura, também depende de alta umidade e de pelo menos dez horas de molhamento foliar para avançar.
Uma exceção nesse cenário é o oídio, que se desenvolve melhor em condições de menor umidade relativa e temperaturas mais amenas, entre 14 e 24 graus, mostrando que nem todas as doenças seguem o mesmo padrão climático.